domingo, 1 de março de 2009

POESIA : QUINTOS DO INFERNO

Os graves vícios 
Estúpidos hipócritas,  “Crentes ateus” 
Adormeci na varanda 
Inverno triste... 
Quando sonhei esse sonho 
Meu coração estava gelado de dor 
Não de frio! 
Revolta pecaminosa 
Sou poeta, sou filósofo...  
Sou crente, sou cristão,
Então devo esse pecado? 
Paralisado de sono 
Cansaço do dia 
Dormi como criança 
Era uma visão! 
Eu não vi Deus 
Ele estava me vendo 
Conduzindo-me à verdade 
Quando me mostrava as mentiras 
Catapora do homem! 
O ninho de serpentes das criaturas... 
Só glória havia lá 
Anjos voavam sem voar 
Instrumentos celestiais tocavam e não ouvia som!
E eu não via Deus, mas ele me pegou pela mão direita 
Levou-me às salas 
Que não eram salas 
Uma estava cheia de livros 
Processos sobre processos 
Crimes venenosos 
Oh, Deus! O que é isso? 
Respondeu-me: Pergunte aos padres! 
Que respondam os papas! 
Oh, Cristo! Permita-me: Abrir uns poucos?  
Oh, claro! Claro! 
Abri os selados!
Deus me conduzia às verdades 
Quando me mostrava as mentiras 
Então eu li: Igreja Católica! 
Santos padres, santos podres, santos papas, podres papas! 
Pedofilias... Luxúria... Idolatria... 
Sangue inocente derramado,  abortos de madres... 
Mentiras em nome da verdade! 
A pergunta é "eles não sabem?"
Quando abri um de capa verde... Uau!!! 
“Aparecida apodrecida é o maior crime contra Maria, 
mãe do messias israelense” 
Caí no chão desmaiado 
Vi o cordeiro vestido de branco 
Levantei protestante! 
Abri outro livro Ezequiel 34: 
Os pastores de Israel 
Pecados de avareza 
Embriaguez e sexo às escondidas,  
Manipulação de fiéis.  
Na verdade estão com a verdade e não a vivem! 
Nada de novidade! 
A bíblia já falava de pastores e lobos 
Os que assim enganariam... 
Oh!!! Ai! Ai! Livro dos ateus, 
Engaçado! Estava quase todo em branco! 
Apenas uma frase! 
Também só uma folha! escrito:
 “Não existo para tu, então não existo, 
passe toda eternidade sem mim” 
Logo, o livro das religiões, 
Politeístas dos deuses 
Sorri secamente! 
“Sou o único Deus verdadeiro, 
Pai de Jesus Cristo, 
fora de mim não há salvação” 
Oh! Depois um livro negro, 
Veio em minhas mãos,
Algo me puxou para dentro,
Entrei nas páginas e  desci no inferno! 
Que horror! 
O diabo estava lá! 
Ofereceu-me chá! 
Tomei um gole 
Oh! Não tinha açúcar! 
Cuspi na cara do cara! Ele sorriu! Risos... o)))) 
Era banguela! Tinha chifre na testa,
Todavia era traído pelos súditos e não sabia!  
O tolo não é onipresente! 
Dei um soco na cara do besta! 
Caiu no chão! Lamento! 
Sua cadeira era de latão enferrujado! 
Levantou furioso,
Com seu mau hálito,
De velho fedorento 
Suas cuecas fediam xixi 
Então eu ri, ri, ri, ria , ria... o)))))) 
Coitado do diabo! 
Disse-lhe eu: 
Venda os quintos do inferno, 
E contrate uma lavadeira de roupas...
Então, abri os olhos...
Acordei.
ALMEIDA, Joel. Deliberação. Montes Claros, 2003.

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AJA-DJA Brasil (2001)

AJA-DJA Brasil (2001)
Obra apresentada no salão de poesia "Psiu Poético" (Montes Claros-MG)

Sobre o Poeta Joel Almeida

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